
FOTO: Sancler Ebert, Zero Hora
Será necessária toda a experiência de quem já comandou a pasta da Saúde no Estado, durante o governo Yeda Crusius, para que Arita Bergmann (PMDB) tenha pelo menos a chance de solucionar uma doença crônica na metade Sul: a crise que domina a saúde Pelotas. Arita é desde ontem a nova secretária municipal de Saúde da cidade, e conhece bem a região. É natural de São Lourenço do Sul, com formação acadêmica na Universidade Católica de Pelotas (UCPel) no curso de Serviço Social.
Convidada pelo prefeito Adolfo Antonio Fetter Junior (PP), tomou posse no mesmo dia em que funcionários de atendimento de emergência e urgência se reuniram em assembleia para votar uma possível greve do setor. Esse é apenas um dos desafios que Arita deve enfrentar. Ainda terá de encontrar solução para a superlotação no Pronto Socorro de Pelotas (PSP), às ameaças de greves de pediatras e especialistas que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS), à deficiência da Central de Leitos, ao déficit nas contas do PSP, ao mau uso da Unidades Básicas de Saúde (UBS), entre outras necroses no sistema público de saúde que frequentemente assombram os pelotenses.
ENTREVISTA: ARITA BERGMANN, secretária municipal de Saúde de Pelotas
Zero Hora - Como secretária de saúde do Estado a senhora já tinha noção da situação da área no município?
Arita Bergmann - Sim, não com a profundidade que eu devo conhecer a partir de agora. Vínhamos acompanhando, mas como Pelotas é gestão plena, a responsabilidade de gerenciar todo sistema é do município, o Estado não participava diretamente.
ZH – Que outros municípios possuem gestão plena?
Arita – São 14 no total, Caxias do Sul, Canoas, São Borja, são alguns exemplos.
ZH – Por que Pelotas possui tantos problemas em comparação a Caxias do Sul, que tem o mesmo porte e mesmo tipo de gestão?
Arita – É difícil comparar, mas poderíamos dizer que a população usuária de SUS em Pelotas, pela realidade socioeconômica da região é maior do que Caxias, que por ter muitas empresas, muitas pessoas possuem planos privados. A outra diferença é que Caxias tem um Pronto Socorro municipal, até por que a renda per capita e a renda da prefeitura de Caxias é maior do que de Pelotas, porque o parque industrial é maior. Além disso, o município possui um hospital universitário que recebe R$ 1 milhão de reais do governo do Estado. Ainda assim Caxias tem seus problemas.
ZH – O fato do Pronto Socorro de Pelotas ser regional pesa para que ele tenha tantos problemas?
Arita – A organização do sistema de Pelotas passa pela organização do SUS na região, isso precisa ser levado em conta. Avaliar a capacidade instalada na região Sul, o que cada um pode ofertar para o sistema. Há dados que a média de partos vindos de outros municípios é alto, sendo que eles possuem contrato com o Estado para atender suas grávidas. Vamos analisar isso e ver porque está acontecendo.
ZH – Como resolver o déficit do Pronto Socorro, que gira em torno de R$ 798 mil?
Arita - Estamos buscando mais verbas estaduais e federais e como ele é regional, vamos discutir a participação dos outros municípios, como eles podem auxiliar. Uma das grandes alternativas é a construção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para desafogar o Pronto Socorro e diminuir as dívidas.
ZH – Mas a UPA é um projeto futuro, como a questão da superlotação vai ser resolvida a partir de agora?
Arita – Estou falando sem ainda ter sentado na cadeira de secretária mesmo, para poder avaliar melhor os dados. Mas o que poderia ser feito é avaliar as demandas que vem da região, verificar se a rede básica está dando as respostas necessárias, instalar terceiro turno em alguns postos, construir novas sete Unidades Básicas de Saúde, verificar se a Estratégia de Saúde da Família está dando a cobertura correta.
ZH – O que a senhora vai fazer para que a Central de Leitos realmente funcione?
Arita – Estou saindo daqui há pouco para me reunir com a empresa que fez o sistema da Central. Ela foi implanta e está operando só uma parte, que é urgência e emergência e em horário restrito. Queremos regular futuramente consultas, exames, leitos. É de suma importância que o gestor do município tenha em tempo real o mapa da ocupação e da disponibilidade de leitos. Semana passada ocorreu um episódio que por falta de regulação da obstetrícia havia leitos disponíveis e gestantes não encontravam leitos.
ZH – A sua experiência como secretária de Saúde do Estado deve fazer diferença para enfrentar tantos desafios?
Arita – Espero que o conhecimento e a experiência ajudem a qualificar o sistema de Pelotas, acho que o que acumulei na gestão pública pode me ajudar muito.
ZH – E por que aceitar esse desafio?
Arita – Porque eu que determinei a mim mesma que precisava dar minha experiência para minha região, porque eu tenho vínculos muito fortes com Pelotas, tive meus filhos aqui, sou da região.
Fonte: ClicRBS
Por: Bianca Zanella
Arita Bergmann fala dos desafios da Saúde em Pelotas
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