Pedro tem quatro anos e uma rotina normal para uma criança da sua idade. Pela manhã, acorda cedo, toma café, assiste desenhos e brinca - menos nos dias em que frequenta as consultas com o psicólogo. De tarde, a escolinha. Na rua distribui sorrisos e cumprimentos, comunica-se bastante e mostra-se carinhoso. Ano que vem, ele ingressará no Ensino Fundamental. Nada de extraordinário ou preocupante, a não ser por um motivo: Pedro tem autismo.
O diagnóstico foi inesperado - naturalmente. Veio em 2009, quando o menino tinha três anos. Fiquei assustada. Não tinha informação nenhuma sobre o assunto”, relembra a mãe, Alessandra Prietsch. Como muitas famílias, a de Pedro conhece bem a sensação inicial de impotência ao lidar com uma criança que possui dificuldade de socialização e transtorno comportamental: um perambular interminável de especialista em especialista, de escola em escola. Uma busca constante atrás de informações sobre um enigma por enquanto sem resolução.
O caso de Pedro é um exemplo do que é vivido por inúmeras famílias. Segundo estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), são mais de 70 milhões de autistas em todo o mundo. O medo de Alessandra, portanto, como já se pode imaginar, não é exclusividade. “A rede pública de ensino, por exemplo, não está preparada para receber um aluno autista em sala de aula”, critica Noris Hyppolito, avó de uma criança de 11 anos, que possui a síndrome.
Atualmente, uma das bandeiras da Associação de Amigos, Mães, Pais de Autistas e Relacionados (Amparho), criada em 2009, é a implantação de um centro de atendimento especializado para autistas em Pelotas. Com uma equipe composta por psiquiatra, psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e neurologista, o centro seria voltado exclusivamente para o atendimento de pessoas com autismo.
Enquanto a reivindicação não é atendida, a expectativa da Amparho concentra-se na abertura do Centro de Atendimento Psicossocial para Infância e Adolescência (Caps I) na cidade. Apesar disso, segundo presidente da Amparho, Márcia Kraemer, a medida ainda não é suficiente. “Não podemos integrar o tratamento do autista com outras crianças. É necessário um acompanhamento diferenciado”, argumenta.
Fonte: Diário Popular 04/04/2011 09h05min
Por: Ricardo Rojas
Pais de autistas lutam por tratamento adequado
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