Um levantamento recente realizado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) mostra Pelotas entre as cidades com uma das maiores concentrações de médico por cada mil habitantes. O número mais recente, de 2010, mostra que a cidade possui 3,88 médicos para cada mil habitantes e a expectativa é que esse número atinja 5,23 em 2020. Considerando que a expectativa do governo federal é elevar a proporção de 2,5 médicos para a mesma quantidade de habitantes em todo o território nacional, pode-se dizer que Pelotas é uma cidade privilegiada. O ponto fraco da questão é que o déficit de profissionais na saúde pública continua sendo o maior gargalo. De nada adianta formar dezenas de profissionais por ano, se os jovens médicos não se sentem motivados a ingressar na carreira pública.
Atualmente a saúde pública em Pelotas conta com o trabalho de mais de 250 médicos, divididos em Unidades Básicas de Saúde (UBS), atenção à saúde mental, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Regulação. A secretária de Saúde, Arita Bergmann, é clara em dizer que essa quantidade não é o suficiente para atender toda a demanda da cidade. Especialidades como pediatria, ginecologia, cirurgia e clínica geral são as mais difíceis para encontrar profissionais. Em média, os profissionais que trabalham na Estratégia da Saúde da Família (ESF) ganham R$ 5 mil.
Carreira pública pouco estimulada
Dificuldades na estrutura de trabalho, falta de materiais, baixa remuneração. Essas são apenas algumas das reclamações feitas pela categoria. E principalmente o que faz os jovens profissionais optarem por carreiras que ofereçam mais satisfação. A delegada regional do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) em Pelotas, Gislaine Silveira de Vargas, sugere que uma das soluções poderia ser a criação de um plano de cargos, carreiras e vencimentos, em que os profissionais da saúde seriam motivados a evoluírem dentro da carreira pública mediante um plano de trabalho com bonificações, por exemplo.
O ideal seria que Pelotas disponibilizasse um médico da família para cada três mil habitantes. Ou seja, 130 trabalhando na cidade. O coordenador do curso de Medicina da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Sandro Schreiber de Oliveira, afirma que a quantidade oferecida ainda está muito aquém do ideal. Ele acredita que aqueles que mais impactam a saúde pública possuem pouca concentração, inclusive nas periferias.
Fonte: Diário Popular


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