Programa da TV Brasil discute cuidado integral, atento à defesa do SUS
Adriano De Lavor
A saúde da família ganhou espaço na televisão aberta, com o programa Ser saudável, no ar desde 2011, produzido pela TV Unisinos e veiculado pela TV Brasil. Com estrutura de documentário, o programa,
semanal e com 26 minutos de duração,tem pauta ampla. Já abordou temas como gravidez na adolescência, câncer de pele, saúde bucal e infarto no miocárdio. Em junho, estreou sua segunda temporada, levando à televisão discussões pautadas pelo olhar da atenção primária e levando em conta aspectos da medicina baseada em evidências. Apresentado pelos médicos de família Enrique Barros e Camila Furtado, o programa traz, em cada episódio, orientações de especialistas e depoimentos de pessoas que vivem ou conviveram com os problemas abordados e que compartilham suas experiências com o espectador.
Enrique já sabia que pretendia atuar na área de saúde da família, quando iniciou o curso de Medicina na
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O passo seguinte à formatura foi cursar o Programa de Residência Médica do Serviço de Medicina de Família e Comunidade do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), sem imaginar que, anos depois, o trabalho renderia frutos também na TV.
Hoje responsável pela implantação da Estratégia Saúde da Família no município de Santa Maria do Herval, onde atua como médico de família e comunidade e presidente do Conselho Municipal de Saúde, ele ressalta que se sente legitimado para apresentar o programa por conta das atividades que desenvolve (atendimento clínico e visitas domiciliares). “é uma extensão do trabalho comunitário”, resume. Enrique também considera, por outro lado, que a prática comunicativa na televisão reforça a prática médica.
Cuidado Com a linguagem
Desde janeiro ao lado de Enrique na apresentação do Ser saudável, a médica Camila Furtado concorda. “O
programa é um meio de informação e fortalece a Estratégia Saúde da Família por promover atividades educativas”. Formada pela Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre (FFFCMPA), ela também atua em uma área da capital gaúcha que atende cerca de 20 mil pessoas. Camila diz que os vídeos são úteis quando se trabalha com grupos educativos de idosos ou estudantes, por exemplo.
A ideia do programa é informar de maneira direta e ágil, utilizando recursos didáticos que incluem representações gráficas do corpo humano e das doenças e o esclarecimento de mitos e verdades.
“Queremos esclarecer o público em geral sobre problemas complexos”, diz Mauren Lucena, diretora de produção do programa, desde fevereiro. À frente de uma equipe com 30 pessoas — entre roteiristas, apresentadores, consultores, técnicos e estagiários —, ela acrescenta que o trabalho se apoia na precisão da
informação e no cuidado com a linguagem — que deve ser a mais clara possível.
Enrique lembra que o programa busca investir na atenção integral da população e no cuidado para não divulgar informações que possam desorganizar o sistema de saúde pública. A ideia é não trabalhar com denúncias ou alarmes, mas apresentar o processo saúde-doença e suas complexidades, trabalhando com
os Determinantes Sociais da Saúde (DSS). Para isso, ele reforça na TV a atenção que tem com a prática diária, direcionando os conteúdos e a abordagem para o universo da saúde da família.
O apresentador informa que, apesar de os conteúdos terem sido definidos antes de sua contratação, ele
propôs um critério epidemiológico para a seleção dos temas, a partir da sua magnitude, transcendência e vulnerabilidade. A magnitude julga se o problema em questão é relevante (“Muita gente tem?”); a transcendência avalia o seu impacto (“É um espinho no dedo ou um tiro no peito?”); e a vulnerabilidade
diz respeito ao potencial de resolução do problema. Ele exemplifica, dizendo que faz sentido abordar como tema a pneumonia entre bebês, que pode ser evitada com aleitamento materno — sendo, portanto, vulnerável a uma intervenção do programa.
Também diretor de Comunicação da Associação Gaúcha de Medicina de Família e Comunidade, Enrique disse não temer o risco de que um programa que aborde o processo saúde-doença estimule automedicação. “Em muitos casos, não há como evitar”, avalia, lembrando que muitas vezes recomenda a seus pacientes que assistam a episódios do programa para que entendam melhor o problema que enfrentam. “Eu me sinto à vontade com a política de redução de danos”, diz o apresentador, que já avalia a possibilidade de levar
o Ser saudável às unidades básicas de saúde. Segundo ele, os programas têm boa qualidade e já são utilizados nas salas de espera do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
Saiba mais
Ser saudável — TV Brasil, quartas-feiras,
20h30, reprise aos sábados, 7h30. Programas
já exibidos disponíveis em http://tvbrasil.ebc.
com.br/sersaudavel
Fonte: Rev. Radis Comunicação e Saúde


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