A reabertura da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital de Caridade de Canguçu volta à discussão da pior maneira possível. Novo episódio envolvendo gestante de alto risco, grávida de gêmeos, e a falta de estrutura do atendimento de emergência no Estado tornou um pesadelo a hora do parto da piratiniense Andrizi Quevedo, de 25 anos, grávida de gêmeos com 26 semanas. O episódio terminou com a transferência dos recém-nascidos, dois meninos, para a UTI Neonatal da Santa Casa de Caridade de Bagé, onde a informação repassada é apenas de que o estado de saúde dos recém-nascidos é grave.
A mãe se recupera no Hospital de Caridade de Canguçu, onde deu entrada há dez dias com uma infecção. A direção da instituição foi procurada, mas não atendeu à reportagem.
O prefeito de Canguçu, Cássio Mota (PP), que acompanhou de perto todo o desenrolar da história, conta que enquanto aguardavam a obtenção dos leitos em Bagé, pela Central de Regulação do Estado, o parto dos bebês aconteceu, por volta das 22h30min de segunda-feira (6).
Segundo ele, após o nascimento dos bebês, eles precisavam ser transportados por uma UTI Móvel, que se deslocou de Livramento até Canguçu, viagem em torno de 400 quilômetros, e transportou os recém-nascidos até Bagé, outros 175 quilômetros. Nessa espera, que durou em torno de 20 horas, uma estrutura improvisada pelo hospital, com aparelhos da UTI Neonatal interditada (incubadora com respiradores) manteve a vida dos bebês, que pesaram 600 gramas.
De acordo com a coordenadora regional adjunta de Saúde, Vera Silva, o encaminhamento da gestante, que era de alto risco, para outro hospital com suporte deveria ter sido feito imediatamente. Segundo ela, uma reunião, com data ainda a ser marcada, deve ocorrer nos próximos dias entre Secretaria de Estado da Saúde, direção do Hospital e município, em Canguçu.
Interdição
A UTI Neonatal do Hospital de Caridade de Canguçu, com dez leitos, foi inaugurada no dia 12 de novembro do ano passado e fechada no dia 24 de fevereiro deste ano, 103 dias após entrar em funcionamento, por determinação do governo do Estado, após vistoria da Vigilância Sanitária, devido a foco de infecção que teria provocado mortes de bebês e também pelo baixo número de profissionais. Entre as exigências da Secretaria à direção do hospital, além da contratação de mais profissionais, estaria a readequação de serviços de suporte à UTI, tais como higienização de materiais, lavanderia entre outros.
Fonte: Diário Popular


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